Avisa pra geral que o Curral tá na final

26 de Julho de 2019



Time feminino da Zona Oeste contraria as expectativas e chega à final da Taça das Favelas Rio 2019.

Lucas Meireles* e Ludmila Silva*  

 

Finalizar algo que teve muitas etapas anteriores pode fazer com que o alguém que as cumpriu tenha muitos sentimentos. Pode surgir a ansiedade, a emoção de estar terminando, o nervosismo e quem sabe a sensação de dever cumprido. Para as meninas do Curral das Éguas o sentimento de estar na final da Taça das Favelas já é de vitória. Segundo a treinadora Monique, a expectativa do time é a melhor possível, pois chegaram a uma final em que ninguém esperava nada delas. “Para a maioria das meninas é a final da Taça das Favelas em um ano em que o futebol feminino está sendo um pouco mais reconhecido. Nós vamos atrás do título”, afirmou.

O time da Zona Oeste vem cumprindo muito bem o seu papel com a torcida. Nos quatro jogos disputados, as meninas marcaram 15 gols, e sofreram apenas 5. Em todos os jogos elas tiveram vitórias exemplares e bem jogadas. Na partida contra o Complexo da Coréia, em que as meninas ganharam de 2 x 1, Monique considerou como sendo a partida mais marcante, até o momento, do seu time na Taça. “Nós conhecíamos a equipe e sabíamos o quanto elas treinam forte e estão sempre nas fases finais da Taça, e mesmo assim conseguimos impor nosso jogo e sair na frente”, disse. O excelente desempenho do time é resumido pela técnica em uma frase: “nós jogamos uma pela outra”. Diferencial que faz com que elas não só joguem futebol, mas também se divirtam jogando. Segundo Monique, esse treinamento focado no conjunto, faz com que a Adriana, ou Drica, jogue mais bem posicionada e faça os gols.

Adriana Imperatriz é a artilheira do time com 7 gols nas 4 partidas. Com 36 anos, ela é uma das jogadoras mais experientes do Curral das Éguas. Adriana já passou pelo Vasco e pela seleção brasileira de base. Mas mesmo com toda a experiência ela afirma que o coração está acelerado para a final da Taça. “Ter experiência é bom em alguns momentos, mas quando a bola rola não tem idade certa, todas querem ganhar e eu estou bem nervosa. É como se fosse a primeira vez”, disse. Além do talento e da fome de bola, Drica também leva para campo sua humildade. Começou a jogar profissionalmente aos 13 anos no Vasco, em uma época onde as melhores do país estavam no clube, quando passou pela seleção brasileira de base jogou com Marta e Cristiane. E depois de tudo isso ela resolveu brilhar na Taça das Favelas. “Hoje, eu amo estar com as meninas do Curral das Éguas, do mesmo jeito que eu também amava estar com as melhores do mundo”, afirmou a artilheira, que já levantou o troféu da Taça das Favelas em 2015 pelo Barata.

Comemoração e coincidências

“Vou mandando um beijinho/ Pra filhinha e pra vovó/ Só não posso esquecer, da minha eguinha Pocotó/ Pocotó, Pocotó, Pocotó, minha eguinha Pocotó”. Foi com essa música que o MC Serginho fez sucesso nos bailes funks do início dos anos 2000. Hoje, quase duas décadas depois, a mesma letra embala as comemorações dos gols do Curral das Éguas na Taça das Favelas.

O início da comemoração surgiu quando Adriana percebeu que as meninas estavam com receio de serem zoadas pelas outras torcidas por conta do nome do time.

 “Essa final tem um gosto especial porque montamos um time de amigas tão íntimo, que viramos uma família mais forte do que antes”, disse Drica, que afirma que mesmo com a rotina corrida de trabalho e treino, as coisas estão indo muito bem. Além disso, Adriana afirmou que a final vai valer a pena ser vista, pois são dois times que se conhecem muito bem e que já se enfrentaram em finais. “Essa final vai ser bem interessante e diferente de todas as edições pode esperar”, prometeu.

 

*Voluntários sob supervisão da Assessoria de Comunicação da CUFA





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