Mais uma vez Corte Oito

26 de Julho de 2019



Favela da Baixada Fluminense está na sua quarta final seguida

por Evelyn de Assis* e Rhenã Velloso*

 

 

A favela do Corte Oito, localizado no município de Duque de Caxias, é uma área que enfrenta muitas dificuldades, mas que também tem muitos sonhos, e através das meninas da seleção deste território irá tentar realizar o sonho de ser campeãs da Taça das Favelas.

 

A região com nome curioso tem muitas histórias a respeito da origem do seu nome e que nenhuma delas se sabe se é real, mas a que mais se aproxima da realidade, segundo o técnico da equipe, Carlão, é que, na época do Império, o local era dominado por morros e, para facilitar a locomoção, vários morros foram “cortados” e o morro do corte oito foi o oitavo morro a ser “cortado”. Essas ações deram origem ao nome do local que ficou conhecido como Corte Oito.

 

A rotina de preparação, comandada pelo técnico Carlão, passa por três dias de treino durante a semana, com atividades intensas de treinos táticos, físicos e técnicos, com jogos no final de semana.

 

A atuação do Corte desenha uma trajetória gloriosa desde o início. O “time do sorriso”, assim definido pelo narrador Caio César no jogo de estreia na Taça deste ano, soltou o grito de campeã por duas vezes e foi vice, em 2018, na decisão com a Caixa d’Água.

 

Na tabela oficial, as meninas do Corte 8 abriram a diferença de pontos no Grupo 1, somando 13 gols durante todo o campeonato. Em 16 de março, primeiro dia da Taça 2019, o Corte Oito venceu o Ititioca por 3 a 1 em uma partida que, segundo apostas, era a mais esperada do fim de semana. Reveja os melhores momentos: https://mycujoo.tv/video/tacadasfavelas?id=37860

Já na segunda rodada, em maio, o 1 a 1 com o Pereirão garantiu a classificação para a fase mata-mata O ingresso nas quartas de final da Taça foi carimbado com o gol de empate da número 8, Fabiana, uma das destaques do time. Confira a partida na íntegra: https://mycujoo.tv/video/tacadasfavelas?id=42580

A disputa pela vaga na semifinal deu espaço para um novo confronto entre Corte Oito e Caixa d’Água. Após decidirem o título na final em 2018, os times se enfrentaram pelas quartas de final no dia 1º de junho. Após ir para o intervalo em desvantagem, o Corte empatou no segundo tempo, levando a partida para as penalidades. A goleira Marcela defendeu um pênalti, enquanto Yasmin e Fabiana converteram suas cobranças, garantindo a vitória por 2 a 1. Relembre os melhores momentos das quartas de final: https://mycujoo.tv/video/tacadasfavelas?id=46877

 

A vaga para a final foi garantida após mais uma partida eletrizante, com direito a virada, e uma expulsão para cada lado. O Complexo do Acari abriu o placar e o Corte empatou ainda no primeiro tempo. Para aumentar a tensão da partida, o gol da vitória saiu no fim do jogo. O destaque veio para a jogadora Marcelle, que fez sua estreia marcando os dois gols para o Corte Oito. Veja todos os lances da semifinal na íntegra: https://mycujoo.tv/video/tacadasfavelas?id=48602

 

 

O grande diferencial do Corte Oito são as jogadas em equipe, o que, segundo o técnico Carlão, reforça que “a necessidade é que faz o destaque”. Todas são treinadas para atuarem, principalmente, como atacantes e zagueiras, reforçando a defesa, marcações e os chutes a gol. E foi por conta desse entrosamento nos treinos e em campo que elas aproveitaram as oportunidades.

 

Numa média de 14 garotas da equipe do Corte Oito que estão disputando o Campeonato Brasileiro, quase todas foram contratadas para os quatro grandes times do Rio. Hoje, 2 jogadoras estão no Fluminense, 2 no Vasco da Gama, 4 no Botafogo, 1 no Grêmio e 6 no Flamengo, que levou a maior parte para a disputa no Sub-18, incluindo a goleira.

 

 

“O trabalho da CUFA me ajudou a julgar o meu trabalho. Hoje quando elas falam ‘sou atleta do Corte Oito’, as portas estão abertas porque tem um resultado”, Carlão

 

 

 

O Corte Oito está disputando o título na Taça das Favelas pela quarta vez. Como o time está se preparando para a grande final?

 

Carlão: Nós estamos, dentro do possível, trabalhando, mas com dificuldade, visto que boa parte das atletas está disputando o Brasileiro e não está conseguindo o horário delas com o horário nosso aqui. Fora isso, estamos indo no caminho certo.

 

 

O primeiro jogo da fase de grupos definiu o confronto entre Corte Oito e Ititioca como o mais esperado do dia. Qual era a expectativa após o vice-campeonato em 2018?

 

Carlão: Foi um jogo difícil pra gente, porque era a nossa estreia. A gente sempre treina de acordo com o adversário e sabíamos que tinham garotas com qualidade no time. Aí, eu passei para as meninas: “Vamos partir pra cima delas. Elas vão achar que nós vamos ficar com medo. Vamos fazer o que a gente sabe”. Partimos e os gols foram surgindo. No Corte 8, todas sabem marcar e isso ajudou a gente a manter o placar.

 

Há quanto tempo você é técnico do Corte Oito? Qual foi a campanha mais difícil?

 

Carlão: Nesses anos todos, o trabalho mais difícil está sendo 2019. Com a abertura dos clubes por obrigação ter um time feminino, muitas garotas do nosso time foram para grandes clubes, porque são novas e boas. Então, eu tenho 14 atletas disputando pelo Brasileiro e tenho 6 disputando o sub-18 feminino Brasileiro. Então, eu perdi muitas jogadoras. A gente vai pra campo sempre mais preocupado na estratégia, em como defender e como tentar ganhar.

 

Qual é a mensagem que você deixa para as próximas atletas que desejam jogar na Taça das Favelas?

 

Carlão: Para as próximas atletas, eu só tenho que falar algumas coisas: Treinem, treinem, acreditem no futuro. A porta do futebol feminino está abrindo. E através do treinamento, vocês estão habilitadas a jogar em qualquer clube, em qualquer país. E se puderem, procurem um estado que tenha o campeonato da Taça das Favelas. Tentem ir pra algum time da Taça e se inscrevam. Briguem pelo título. Porque a vitória, você não sabe o gostoso que é. Só quem já passou por essa sensação de ser campeão, ser vice e ficar triste, ser campeão e ficar alegre, sabe. Como é bom trabalhar, como é bom treinar! Se dediquem ao esporte, mas se dediquem de coração porque o retorno é gratificante.

*Voluntários sob supervisão da Assessoria de Comunicação da CUFA.





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